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Nesta quarta-feira (30), o presidente dos EUA, Donald Trump assinou uma ordem executiva que eleva a tarifa de importação sobre produtos brasileiros para 50 %, aplicável a partir de 6 de agosto (sete dias após a publicação). Embora o ato anuncie cobrança adicional de 40 % sobre a tarifa base de 10 %, estabelecida em abril, cerca de 700 produtos foram excluídos da taxação.
Entre as exceções destacadas, figuram:
✔ Suco e polpa de laranja:
Setor estratégico para empresas como Cutrale, Citrosuco (Matão) e outras da região de Araraquara;
✔ Aeronaves civis, motores, peças e componentes:
Beneficiando diretamente a Embraer, cujas exportações aos EUA não terão tarifa adicional;
Combustíveis, minerais, fertilizantes, polpa de madeira, celulose, metais preciosos e outros produtos energéticos.
Contudo, produtos como café, frutas e carnes não integram as exceções e serão afetados pela tarifa de 50%.
O documento atesta que os EUA classificam o Brasil como uma ameaça “incomum e extraordinária à sua segurança nacional”, comparando-o com Cuba, Venezuela e Irã. A justificativa política inclui ações judiciais contra o ex‑presidente Jair Bolsonaro e restrições impostas pelo STF, especialmente pelo ministro Alexandre de Moraes, que os EUA acusam de censura e perseguição política.
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Setor de suco de laranjaAs exportações de suco brasileiro aos EUA, vitais para empresas como Cutrale, Citrosuco (Matão), também estão protegidas da tarifa. Segundo a CitrusBR, isso representa cerca de US$ 792 milhões anuais em impacto fiscal, considerando a tarifa adicional e a já existente cobrança de US$ 415 por tonelada.
O setor exportou cerca de 307.673 toneladas àquele país em 2024/25, ou cerca de 42 % do total nacional.
Demais setoresExceções também se aplicam a combustíveis, minerais, fertilizantes, polpa de madeira, celulose e metais preciosos, poupando exportadores da região e do Brasil de penalizações imediatas.
Produtos penalizados: efeitos imediatosProdutos como café, frutas e carnes serão taxados em 50 %, elevando o custo de exportação e provocando preocupações com queda de competitividade nas cadeias produtivas agrícolas.
A lista completa com os produtos que não serão taxados está no Anexo I da Ordem Executiva assinada pelo presidente Trump, publicada no site da Casa Branca.
O governo brasileiro, por meio do ministro da Fazenda, anunciou medidas de apoio à Embraer, incluindo linha de crédito especial para mitigar impacto da medida americana. No geral, Brasília avalia que o impacto sobre o crescimento em 2025 será limitado (a estimativa é de 2,5 % de expansão econômica).
O documento de Trump indica que a lista de exclusões poderá ser alterada se o Brasil “tomar medidas significativas” e se alinhar com os EUA em segurança nacional, economia e política externa.
Ele também adverte que se o Brasil retaliar com tarifas contra produtos americanos, ele elevará as alíquotas correspondentes.
EntendaA ordem executiva foi assinada em 30 de julho de 2025, e as tarifas de 50 % entram em vigor em 6 de agosto. Mercadorias já em trânsito serão isentas da tarifa adicional. O governo brasileiro promete reciprocidade, mas evita retaliar setores que impactariam consumidores domésticos, como carnes e café.
Analistas estimam que o choque tarifário pode elevar custos nos EUA, especialmente no setor de café e suco de laranja, com reflexos em preços ao consumidor americano e no mercado interno brasileiro.
Com informações: Agência Brasil.